Autobiografias Ficcionais, de Maria Ondina Braga

A obra de Maria Ondina Braga encontra-se desde há muito esgotada no mercado editorial português. A reedição, pela Imprensa Nacional, dos títulos desta escritora, tão desconhecida quanto original, assume-se como prioritária e perfeitamente enquadrada na missão de salvaguarda patrimonial de que a editora pública está incumbida.

O primeiro dos sete volumes da coleção «Obras Completas de Maria Ondina Braga», Autobiografias Ficcionais, que contempla os títulos Estátua de Sal, Passagem do Cabo e Vidas Vencidas, já se encontra disponível e foi lançado em Braga no passado mês de Junho.

A edição conta com prefácio do professor José Cândido de Oliveira Martins, onde se pode ler:

“Nestas narrativas, estamos assim perante uma voz feminina que procede a múltiplas evocações de experiências vividas, em diversas partes do mundo, que a marcaram indelevelmente e que constituem matéria fundamental da sua escrita.

Numa parceria com a Câmara Municipal de Braga (cidade natal da escritora), a coleção é coordenada pela professora Isabel Cristina Mateus (Universidade do Minho) e pelo professor José Cândido de Oliveira Martins (Universidade Católica Portuguesa).

Maria Ondina Braga (1922-2003) é a escritora mais cosmopolita da literatura portuguesa do século xx. Nascida em Braga, norte de Portugal, cedo deixa a cidade natal para tomar os caminhos do mundo. Foi precetora de crianças em Inglaterra, onde conclui estudos de língua inglesa na Royal Society of Arts, e em França, onde prossegue estudos na Alliance Française. 

Foi professora em Angola, Goa, Macau, Pequim, além de tradutora. O seu percurso de vida e literário confunde-se com a ideia de deslocação ou viagem, numa cartografia que passa pelos quatro continentes, do Brasil ao Sri Lanka ou Singapura. 

Esta condição itinerante e multicultural constitui a marca de água de uma escrita que experimenta vários géneros, da crónica ao conto, das memórias ao romance, além da poesia e diários ou notas de viagem. 

Com destaque para a autobiografia e autoficção, além das biografias breves de várias mulheres escritoras (algumas delas inéditas): Virginia Woolf, Irene Lisboa, Selma Lagerlöf, Katherine Mansfield, George Sand, Rosalía de Castro, Sei Shonagon e Anaïs Nin, entre outras. 

Colaborou em vários jornais (Diário de Notícias, Diário Popular, A Capital) e em revistas (Panorama, Mulher, Ação e Colóquio/Letras). «Penso que a única coisa que me deu gosto na vida, o que na verdade me interessou, foi escrever», afirmou a escritora em entrevista a Maria Teresa Horta. 

A sua obra foi distinguida com o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, o Prémio Eça de Queirós e o Grande Prémio de Literatura ITF/dst.

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